Lembranças
Outubro 14, 2009
“Trocaria todos os meus amanhãs por um único dia de ontem.”
– Janis Joplin
A verdadeira paz
Setembro 30, 2009
Há muitos anos, um rei criou um concurso para premiar o artista que melhor captasse, numa pintura, a paz perfeita. Muitos tentaram e, ao final, o rei gostou de apenas duas.
A primeira era um lago calmo e cristalino onde refletiam as imagens de montanhas e árvores que o ladeavam. O céu era de um azul perfeito e todos os que fitavam a pintura, enxergavam nela um profundo conteúdo de paz.
A segunda pintura tinha um quebra-mar sobre rochas escuras e sem vegetação. O céu enegrecido, pontilhado por raios e trovões, precipitava uma grande tempestade. Definitivamente, essa pintura não revelava nenhum conteúdo de paz e tranqüilidade.
Mas, quando o rei observou mais atentamente, verificou que no alto das rochas, havia um pequeno arbusto crescendo de uma fenda. Neste arbusto, encontrava-se um pequeno ninho e ali, no meio do mar revolto e céu tempestuoso, um pequeno passarinho descansava calmamente.
O rei então escolheu a segunda pintura e, diante de uma platéia surpresa, explicou:
- A verdadeira paz não é estar num lugar calmo e tranqüilo, sem trabalho árduo ou sem dor. Paz significa que, apesar de estarmos no meio das adversidades e das turbulências da vida, permanecemos calmos em nossos corações.
Diante de problemas e tormentas aparentemente insolúveis, com paz no coração, sempre achamos a solução.
Legrand. Parábolas Eternas. Belo Horizonte: Soler Editora, 2007.
Inane
Setembro 30, 2009
Inane: adj.: desprovido de qualquer conteúdo; vazio, oco.
Péssimo nada sentir, principalmente, quando se tem todos e tudo. É como sentir ausência na presença. Esquisito, ruim, dolososo e, acima de tudo, desnecessário.
Memória de sentimentos
Setembro 26, 2009
“O ódio tem melhor memória do que o amor.”
– Honoré de Balzac
Vida e felicidade
Setembro 21, 2009
A vida é uma dádiva
A felicidade é um milagre
Todos os dias a felicidade toca a vida de alguém
Sobre o processo de escrita
Julho 21, 2009
Escreve. Apaga. Reescreve. Rabisca. Escreve. Pára. Pensa. Borra. Cria. Esquece. Emputece. Amanhece. Escreve. Escreve. Revisa. Escreve. Fode. Goza. Fode. Fode. Não goza. Anoitece. Escreve. Adoece. Come. Amolece. Envelhece. Conversa. Melhora. Toda hora. Escreve. Perece. Apodrece. Mofa. Desconversa. Esquece. Peleja. Escreve. Escreve. Escreve. E a vida lá fora lhe esperando…
O amor não desaparece
Maio 15, 2009
A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, Vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Dêem o nome que vocês sempre me deram. Falem comigo como sempre vocês fizeram.
Vocês continuam vivendo no Mundo das Criaturas, eu estou vivendo no Mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste.
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim. Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo, sem nenhum traço de sombra.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Por que eu estaria fora de seus pensamentos agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho.
- Santo Agostinho
A velocidade da paixão
Março 14, 2009
Apaixono-me com a velocidade do disparo de uma bala.
Mas a paixão pode passar tão rapidamente quanto o tempo que dura para a mesma bala perfurar meu coração.
Bêbado, trêbado
Fevereiro 28, 2009
Eita! A malvada da cachaça!
O primeiro dia de uma puta
Fevereiro 9, 2009
Um amigo para seu cunhado:
- Vamos pro cabaré?
- Quê? – responde assustado.
- É, rapaz! Não vou dizer para minha irmã!
Após um pouco pensar, ele responde:
- Tá, vamos… mas ninguém vai comer ninguém.
Assim fomos parar um cabaré de beira de estrada.
***
- O que você tem para beber? Quero beber cana. Tem? – pergunto ao dono mal encarado do bar.
- Não, não vendo cana. Tenho Nova Skin, Martini e Champagne. A garrafa do Champagne custa R$ 30,00 – retruca o homem com cara de raros amigos, já desconfiando que os pirralhos de menor darão trabalho para pagar a conta.
- Então me traz um Martini.
***
Arquétipo típico de puta: negra, um pouco acima do peso mas que lhe garante um bundão, buceta mal raspada, cabelos molhados cheirando shampoo de quinta categoria. Sinto nojo quando relembro este maldito cheio. Estava embriagada.
***
Quando metia com maior velocidade, força e intensidade, reparei seus olhos cheios de lágrima, lábios torcidos e, assim que ela percebeu que eu estava olhando, logo fechou os olhos.
***
As primas dela contaram-me que ela chegara hoje, viera de outra cidade.
- O que houve com ela? Está fugindo de alguém?
- Não sei. Chegou aqui já bêbada perguntando se poderia ficar aqui.
Penso que ela brigou com o marido, possivelmente, porque descobriu que ele estava a traindo com outra puta e decidiu dar o troco. Fugiu de casa e foi viver em um cabaré de beira de estrada.
Esta é quase a história da outra puta que me recepcionara por lá: roubou o marido, um policial de outra cidadezinha vizinha, e, ao saber que ele a traía, saiu de casa direto pro bordel.
Ação desesperada, de certo. Muitas entram neste submundo por conta da pobreza em que vivem. Sem estudos e perspectiva melhor de vida, encaram a prostituição como modo de vida. Tornam-se profissionais do sexo, a mais antiga e menos prestigiosa das profissões.
Uma vez dentro, não há volta. Não existe ex-puta, muito menos ex-viado. Caiu na vida, sucumbiu ao (sub)mundo.
***
Coitada da putinha, pois mal sabia rebolar. Ainda terá que aprender muito. Seu primeiro pedido na cama:
- Me beija na boca?…
- Não – foi minha resposta seca.
Parecia mesmo que ela estava iniciando, pois nunca ouvi falar de puta que insinuasse rejeitar de sexo oral.
- Eu não gosto – dizia ela.
- Garota, se quer ser puta, que seja logo! Puta com cu doce se fode e apanha muito. Chupa logo minha rola, caralho! Você quer ser puta?
- Quero…
- Então chupa, porra!
***
Eu alternava momentos agressivos com outros mais tenros. A pobre garota não sabia sequer se masturbar.
- Se quiser viver nesta vida, vai ter que aprender a gozar a cara de seus clientes. Goze sozinha! Vai, porra, esfrega sua mão na buceta! – ela o fez, muito constrangida.
***
Na despedida, após eu muito zombar do amigo que insistia em permanecer por lá cantando músicas de Raul Seixas, ingenuamente, ela, agora menos bêbada e com um singelo sorriso nos lábios, disse-nos:
- Voltem, viu?
- Feliz 2009 para você! Vida nova!… – respondi