Clamor de despedida
Abril 16, 2007
Foi-se minha paz.
Com ela, havia um sonho.
Sonho pueril de concepção,
jovem em sua forma,
maduro em planejamento,
morto daqui para frente.
O ideal era ser feliz.
Sermos felizes,
no plural,
plural controlado,
é claro,
pois era plural de dupla,
plural de duas pessoas.
De repente,
como uma mentira,
rasteira e fulminante,
não há mais nada.
Impossível acreditar.
Tanto esforço
e sofrimento,
vistos aqui mesmo,
para… nada?
Mentiras.
Covardia.
Mais mentiras.
Um coração aos pedaços,
apenas um deles.
Apenas um coração
pois é o que sempre existiu.
Só um, coitado.
Sentimento de perda,
parte preciosa da vida perdida
em vão, para… nada?
Não há vela de esperança,
pois não há feridas abertas.
Não há feridas
porque não há mais o que se ferir.
O alegre pulsar da vida,
agora está triste.
Não há o que desfarelar.
A tempestade carregou consigo
qualquer fervor daqui,
apagou a chama,
lavou a alma,
mas a lavou com
decepção,
frustração e
indignação.
Desejos abafados,
A vontade de tudo,
no nada.
A vida,
a mais preciosa,
no nada?
Não.
Não por muito tempo.
Meus joelhos doem
por não estar acostumado.
Por pouco tempo.
Não mais um minuto.
A alegria de viver,
viver intensamente,
de forma diferente,
depois da adaptação,
há de voltar.
já!
Já voltou!
Minha vida,
estou de volta!
Sou eu!
Façam festa!
Comemorem meu retorno!
A paz voltou e
sempre esteve em mim.
Embriagado em ilusões,
cego por um sentimento
fútil,
inútil,
frágil e
irreal,
não a via,
nem a percebia.
Não tenho alegria,
mas tenho paz
para reconstruir-me.
A tempestade se foi,
tranquilo estou,
feliz vou ficar.
Assim como a ausência,
a paz é um estar em mim.