Segredos

Setembro 30, 2007

Eu procuro um amor que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei
Nos seus olhos quero descobrir uma razão para viver
E, as feridas dessa vida, eu quero esquecer
Pode ser que eu a encontre numa fila de cinema
Numa esquina ou numa mesa de bar

Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

Eu procuro um amor, uma razão para viver
E, as feridas dessa vida, eu quero esquecer
Pode ser que eu gagueje sem saber o que falar
Mas eu disfarço e não saio sem ela de lá

Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar, eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer os meus segredos

– Frejat

Sombras do passado

Setembro 27, 2007

Várias mulheres diferentes. Uma, duas e até três delas por dia. Beijos, carinhos, carícias e sexo dia após dia. Estou solteiro, não há mais ausência de ninguém. Há três meses estou solteiro. Tudo muito bem, tudo muito bom.

Estive em minha cidade natal para as bodas de prata de meus pais, onde a história de amor, aqui contada em termos do seu sofrimento, começara e, fatalmente, terminou. Ao primeiro momento, nada de mais. Nenhum sentimento estranho ou ruim. A celebração de aniversário de casamento foi muito linda.

Entretanto, nesta última noite, esbarrei nas nossas últimas fotos juntos, tiradas aqui em casa mesmo, muitas delas neste quarto que escrevo agora. A cama que dormi as últimas noites, que fora ninho de amor por algumas vezes, foi o cenário do início da última briga, que se prolongou por mais de quatro horas e culminou com o término do noivado.

É estranho. Mesmo não sentido mais amor pela pessoa, esta cidade faz me lembrar muito dela. Nossa história está impregnada por todos os cantos: o primeiro encontro, a declaração de paixão, o primeiro beijo, as primeiras carícias, o noivado, muitos momentos felizes e, claro, o fim de tudo.

Descobri que não sinto falta dela especificamente, mas sinto falta de alguém que seja carinhosa, atenciosa, que me escute e me deixe chorar ao ombro dela, que durma de conchinha à noite… Mas descobri que faltavam muitas coisas, por exemplo, alguém que saísse comigo para curtir a noite, viajasse para ir a um show em uma cidade distante, que bebesse comigo, etc. Vejo que perdi muita coisa de minha juventude por estar ao lado dela também, embora tenha sido feliz neste tempo. Foi uma escolha e falta de experiência ter deixado as coisas correrem da forma que foi. Amor demais tem dessas coisas.

Só que havia algo que era só nosso: os planos. Como diz a música Vento no Litoral:

“Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos na mesma direção”

A maior parte dos planos era para uma vida inteira, até a velhice. Não, não vou voltar para os braços dela. O fim foi definitivo. Hoje já escuto a música inteira sem chorar. Até aprendi a tocá-la no violão. Esta, para mim, é a prova que tudo está acabado, pois esta música já não mexe mais comigo.

As sombras estarão sempre lá, atrás de mim, fazendo parte de meu passado. Tudo passa… tudo passará.