A verdadeira paz
Setembro 30, 2009
Há muitos anos, um rei criou um concurso para premiar o artista que melhor captasse, numa pintura, a paz perfeita. Muitos tentaram e, ao final, o rei gostou de apenas duas.
A primeira era um lago calmo e cristalino onde refletiam as imagens de montanhas e árvores que o ladeavam. O céu era de um azul perfeito e todos os que fitavam a pintura, enxergavam nela um profundo conteúdo de paz.
A segunda pintura tinha um quebra-mar sobre rochas escuras e sem vegetação. O céu enegrecido, pontilhado por raios e trovões, precipitava uma grande tempestade. Definitivamente, essa pintura não revelava nenhum conteúdo de paz e tranqüilidade.
Mas, quando o rei observou mais atentamente, verificou que no alto das rochas, havia um pequeno arbusto crescendo de uma fenda. Neste arbusto, encontrava-se um pequeno ninho e ali, no meio do mar revolto e céu tempestuoso, um pequeno passarinho descansava calmamente.
O rei então escolheu a segunda pintura e, diante de uma platéia surpresa, explicou:
- A verdadeira paz não é estar num lugar calmo e tranqüilo, sem trabalho árduo ou sem dor. Paz significa que, apesar de estarmos no meio das adversidades e das turbulências da vida, permanecemos calmos em nossos corações.
Diante de problemas e tormentas aparentemente insolúveis, com paz no coração, sempre achamos a solução.
Legrand. Parábolas Eternas. Belo Horizonte: Soler Editora, 2007.
Vida e felicidade
Setembro 21, 2009
A vida é uma dádiva
A felicidade é um milagre
Todos os dias a felicidade toca a vida de alguém
A velocidade da paixão
Março 14, 2009
Apaixono-me com a velocidade do disparo de uma bala.
Mas a paixão pode passar tão rapidamente quanto o tempo que dura para a mesma bala perfurar meu coração.
Tempo do verbo amar
Fevereiro 8, 2009
Amei, amo, sempre te amarei.
Final de tarde chuvosa
Janeiro 17, 2009
Os Votos
Janeiro 4, 2009
“Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
“Isso é meu”
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar”
– Sergio Jockymann
O flagra
Agosto 25, 2008
Um momento;
Inesperado instante.
Segundos parecem infindáveis
mas passaram até rapidamente
nas mentes dos três.
Os outros tempos, de menos
longos tempos de menos.
Muito por pouco
por quase nada.
Eis a oportunidade da arte:
a arte de transformar o vilão em vítima
a dor em prazer.
A deliciosa emoção do flagra:
O sorriso estampado num abraço abafado.
Antropofagia Sexual
Agosto 8, 2008
ela é aquela
que todo mundo comeu
ou fala, pensa, sonha
que comeu.
ela a cadela
mal falada e esplêndida
fadada a foder por gosto
a marcar memórias alegres com seu corpo
mas ela, a bela, nesta hora,
agora, só trepa comigo
só ao meu atrela seu corpo nu
e faz comigo o quejá fez
mil vezes
numa
nova
nossa
vez
- Nelson Motta
Por que eu bebo
Agosto 6, 2008
Bebo para perder a consciência, não para esquecer os meus problemas, pois os encaro de frente.
Bebo para conversar besteira, dizer absurdos.
Bebo para impressionar, seja no bom ou mal sentido. Bebo mais, fico mais tempo em pé; bebo as mais diversas bebidas; bebo até cair no chão, estar aos pés de quem não merece.
Bebo e ligo para as pessoas para tirar sarro, para encher o saco ou até para executar uma vingança planejada há anos.
Bebo para me tornar mais feliz e deixar infeliz quem eu queira. Minha felicidade transborda.
O anjo mais velho
Julho 9, 2008
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete, a cena se inverte
Enchendo a minh’alma d’aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo, incerto… depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar
– Fernando Anitelli
